sábado, 4 de setembro de 2010

In "versos"



In “versos”

Enfermidades que curam... Lepra
Sanidades que adoecem... Ego
Fraquezas que encorajam
Coragens que abatem
Pobrezas que enobrecem
Riquezas que enlouquecem
Adversidades que traz à reflexão
Festas que ofuscam a razão

Na noite é a Lua quem chama a atenção
O corpo frio elucida falecimento

Os “inversos” trazem meditação...

Tão inútil quanto à vaidade...
...É não amar-se
Tão estranho como pensar na morte...
...É ignorá-la
Tão mórbido quanto invocar o diabo...
...É não buscar a Deus

“... porque meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor”
(Isaías 55; 8)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vivam eternamente

Vivam eternamente!

A tarde revelava-se fria
Fria, pelo desdém e insensibilidade dos carrascos
De um lado, risos e gargalhadas
Do outro, inconformidade, angústia e tristezas
A justiça deve ser feita... porém...
Os juízes, cegados pela injustiça
São, também, máquinas de torturas
O motivo do riso é o sangue que jorra...
O grito de dor... o flagelo... a punição

Do outro lado está o amor, agora, impotente
Também o Juiz verdadeiro, o homem-cordeiro, calado
Há algumas testemunhas, mas é minoria
Nada pode ser feito... ou, tudo será feito...

A platéia era viciada em terror
Embriagada pelo cálice da insanidade
Pedia mais severidade

O réu puro e inocente, orava...
Os bárbaros pediam uma prova
O sacrifício ofertava o céu

Os monstros enjaulados foram soltos
Famintos... anestesiados...
Sedentos... entorpecidos...
Doentes... frenéticos

Ninguém acredita na verdade
Onde está a justiça?
Porque tanto ódio?

Liberdade... soa como ar puro
Amor... tem cheiro de Deus
Alegria é como o respirar
A paz é como o oxigênio

Posta a cruz,, o ápice do castigo
O último suspiro e uma forte lembrança...

-Toda humanidade é minha, diz o acusador
-Foi eu quem criei, reclama o criador
-Eles te odeiam, retruca o iníquo
-Eu os amo, responde o benfeitor...

“Os pregos nas mãos, torna o doloroso em ânsia”

As mão do inimigo são erguidas para o golpe fatal
-Morram todos os seres humanos!

As mãos de Deus são estendidas de uma extremidade à outra
E, na pantomima diz: Vivam eternamente !!!

Na noite passada

Na noite passada

Cruzei os meus braços diante da vida
Disse-lhe: “não te desejo mais”
Havia um instrumento cortante sobre meu peito
E as mãos traiçoeiras que o segurava, eram as minhas

Havia remédios e venenos sobre a mesa
Mesa que preparei...
A música ambiente era depressiva
Fora de controle assumi a responsabilidade

Havia algo que não tinha preparado, o resultado
Um cálice que entornava extasiadamente
O único medo que me sondava era o de falhar
Então prossegui com meu ritual ... receoso porém decidido ...

Já cheguei até aqui ...
Alguém gritava no silêncio: “socorro”
Era meu coração sacudindo ... tentando pular fora
Tornaria-me o mais cruel homicida
Mataria agora um inocente ... ou pior, um indefeso ...

Não retrocedi ... prossegui ...
Nenhum efeito me acometeu ... será que era real?
Alguém que acompanhava tudo de perto, de repente se foi ...

Orgulhoso ...
Satisfeito ...
Se despediu ...

Suas palavras eram frias:
- O inevitável aconteceria de um jeito ou de outro,
Melhor que seja agora nesse momento difícil
Sua dor será extirpada nesse último suspiro
Diga adeus á sua agonia...

Aquelas palavras soavam como pura verdade
Fatalista, conformista, porém verdadeiras
E eu estava inclinado à essa hipinose...
Instigado por uma voz no vento... chorei...

Na minha mente, lembranças desejáveis
Amigos, parentes, gentes tão amáveis
Poderia ter feito tudo diferente,
Mas já é tarde...

O indesejável deveria acontecer
Eu o esperava pacientemente
Em vão...
Meu corpo estava fechado

Senti um forte e caloroso abraço
Os braços que me envolviam eram ternos

Era como se a flecha da morte vindo à minha direção
Fosse barrada por alguém procurando me proteger

E no momento fatal...

A fuga do flecheiro frustrado...

O sangue compassivo do salvador...

A redenção...

Comecei a sentir o sangue correr em minhas veias novamente

Num ímpeto, respirei fundo...
Escamas caiam dos meus olhos
Fui empurrado brutamente para uma nova dimensão
Vi árvores frondosas, ondas charmosas do mar
E uma mulher acariciando seu filho

Tudo parecia um sonho...
Caí de joelhos pedindo auxílio ao criador da vida
Dos meus olhos vertiam lágrimas abundantemente
Ao cair em si, estava num lugar santo

Uma luz que nunca contemplei ofuscava-me
Sentia águas vivas fluírem dentro de mim
Alegria indizível, paz solene, vida abundante...

Um papel foi posto em minhas mãos por um homem...
Suas palavras ecoam até hoje...

“... Tu és meu filho, eu hoje te gerei. Pede-me e eu te darei as nações por herança...”